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quinta-feira, 29 de março de 2018

Presidente da CUT defende a luta armada no Brasil.

Resultado de imagem para Líder da CUT ameaça pegar em ‘armas’ Em entrevista, Vagner Freitas disse que houve um mal-entendido e que usou 'uma figura de linguagem'   Leia mais:
BRASÍLIA - Em um evento que reuniu ontem à tarde, no salão nobre do Palácio do Planalto, cerca de mil integrantes de movimentos sociais ligados ao governo, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, partiu para o radicalismo ao discursar em apoio à presidente Dilma Rousseff. Ele alertou estar preparado com ‘‘armas’’ e um ‘‘exército’’ para barrar qualquer tentativa de ‘‘coxinhas’’ de tirá-la do poder.
— Somos defensores da unidade nacional, da construção de um projeto de desenvolvimento para todos e para todas. E isso implica, neste momento, ir para as ruas entrincheirados, com armas nas mãos, se tentarem derrubar a presidenta — disse Freitas.
No início da noite, o presidente da CUT procurou o ‘‘Jornal Nacional’’, da Rede Globo, para afirmar que houve um mal-entendido, que não teve a intenção de incitar a violência e que, no discurso, ao falar em armas, usou ‘‘uma figura de linguagem’’. Freitas afirmou ainda que, ao citar a palavra “exército’’, referiu-se a ‘‘organizações de trabalhadores, greves e atos públicos na defesa da democracia’’.A três dias das manifestações agendadas em todo o país a favor do impeachment, a presidente Dilma Rousseff usou o evento para criticar àqueles que defendem o seu afastamento do cargo. Ela foi recebida por gritos de "Não vai ter golpe". Em um discurso descontraído, mas contundente, a petista afirmou que é preciso respeitar o resultado das eleições para manter a democracia.

A três dias das manifestações agendadas em todo o país a favor do impeachment, a presidente Dilma Rousseff usou o evento para criticar àqueles que defendem o seu afastamento do cargo. Ela foi recebida por gritos de "Não vai ter golpe". Em um discurso descontraído, mas contundente, a petista afirmou que é preciso respeitar o resultado das eleições para manter a democracia.
— A democracia é algo que temos que preservar custe o que custar. Outra coisa é o respeito ao adversário. Respeitar não é ficar agradando o adversário. Respeitar o adversário é o seguinte: eu brigo até a eleição, depois eu respeito o resultado da eleição.
Em outro momento, Dilma comparou o embate político a uma partida de futebol, e disse que um dos principais aprendizados do esporte é que ele ensina a saber perder.
— Respeite e honre o seu adversário. Se você não respeita o resultado do jogo, você não pode entrar no jogo.
A presidente condenou publicamente pela primeira vez o atentado ao Instituto Lula, que foi atingido no fim do mês passado por uma bomba caseira. Segundo ela, é preciso que a população zele pelo respeito ao contraditório. Diálogo não é pauleira, diz.

— Temos que zelar pelo respeito que as pessoas que pensam diferente da gente têm que receber de nós. Diálogo é diferente de pauleira. Dialogo é dialogo, pauleira é pauleira. Ninguém pode chamar de diálogo xingar alguém. Botar bomba não é diálogo — ponderou.
MANIFESTAÇÕES
Em referência indireta às manifestações marcadas para domingo, Dilma lembrou que na época da ditadura militar as manifestações eram vistas como ameaça às instituições. E que por isso ela nunca será contra esse tipo de ato.
— Não vejo nem nunca verei problema em manifestações. Tenho que ter lealdade com a experiência histórica da minha geração, que foi muito dura. Eu sobrevivi. Naquela época quando você vivia você tinha que dar graças a Deus. A loteria de quem sobrevivia e quem não sobrevivia era puro acaso — afirmou.
Dilma aproveitou para defender a estudante de medicina Ana Luiza Lima que, na semana passada fez um discurso de exaltação ao Programa Mais Médicos em um evento no Palácio do Planalto, e depois foi vítima de ataques na internet.
— Ela saiu daqui e foi muito maltratada na internet. Maltratada da forma que a gente conhece, quando se trata de mulher. Sabemos perfeitamente que a intolerância que algumas pessoas têm não é característica desse povo nosso.

DEFESA DO MANDATO
Em uma das mais firmes defesas de seu mandato, desde o acirramento da crise política, Dilma disse que irá governar até o dia 31 de dezembro de 2018, quando, segundo ela, entregará um país melhor. Ela voltou a admitir que o Brasil vive um momento de dificuldade, mas prometeu fazer o "possível e o impossível" para garantir "novos direitos e novas oportunidades" à população.
— Não estou aqui para resolver todos esses problemas este ano. Estou aqui para resolver todos esses problemas e entregar um país muito melhor no dia 31 de dezembro de 2018 — afirmou.
A presidente disse que se tornou uma pessoa melhor, com o tempo e que hoje tem condições de realizar o seu sonho de transformar a vida do país positivamente. Dilma disse que alguns podem duvidar de sua melhora como pessoa, mas que ela nunca mudou de lado.
— Hoje eu tenho condições e estou numa condição mais propícia de realizar o que sempre sonhei que é melhorar a vida do nosso país, para ele não seja apenas a 7a maior economia do mundo mas a 7a nação. Enquanto houver a desigualdade, nós podemos ser a 7a economia, mas não a 7a nação. Faz parte de um país desenvolvido querer mais. Faz parte vocês terem uma visão e eu ter outra. Eu sei de que lado eu estou. Eu melhorei, mudei, alguns podem falar que eu piorei, é da vida. Agora, uma coisa eu não aceito: eu nunca mudei de lado _ discursou, sob aplausos.
Em contraponto às manifestações contrárias ao ajuste fiscal feitas pelos integrantes dos movimentos sociais, Dilma defendeu a importância da política econômica do seu governo para que o país retome o crescimento.
— Nós temos de fazer economia, sim. Não tem essa conversa que o governo vai sair gastando como nós gastávamos em momentos em que nós tínhamos mais dinheiro. O dinheiro vai para aquilo que é mais importante, para garantir que não tenha retrocesso. É isso que nós temos de defender nesse país — afirmou.
Este é o segundo dia consecutivo que Dilma se encontra com movimentos sociais e é recebida com músicas de apoio à manutenção de seu mandato. Ontem ela contou com a defesa de uma plateia que reuniu milhares de pessoas do movimento rural no encerramento da Marcha das Margaridas, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
CRITÍCAS A LEVY E CUNHA
Os integrantes da plateia não pouparam, no entanto, críticas à política econômica do governo. Antes de a presidente descer ao salão nobre do Planalto, eles gritavam frases como: "Ô Levy, fala pra tu, volta para o Bradesco ou para o Banco Itaú" e "Fora já! Fora já daqui! O Eduardo Cunha junto com o Levy". Este último grito também foi entoado ontem no Mané Garrincha.
Com discursos contundentes, os oradores do evento defenderam ações do governo Dilma e condenaram os movimentos que pedem a saída da presidente do Poder. O presidente do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, disse que os que pregam o fim prematuro do mandato da petista são a elite, filhos dos que, no passado, apoiaram a ditadura militar.
— Queria fazer um alerta aos golpistas, àqueles que se utilizam de insatisfação social para impor o seu projeto político e para atacar a democracia. Esses estão por aí em várias partes do país, semeando a intolerância, semeando o ódio, o preconceito. Essa turma dos Jardins, Essa turam do Leblon, essa turma no Lago Sul não representam o povo brasileiro — afirmou, referindo-se a bairros nobres de São Paulo, Rio e Brasília, respectivamente. E emendou em seguida:
— Nós sabemos bem que são e de onde vieram. Os seus avôs apoiaram a UDN, os seus pais apoiaram Carlos Lacerda, seus pais apoiaram a ditadura militar e seus filhos são contra as cotas sociais.
Antes dele, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, lembrou que foi a entidade que comanda que liderou os movimentos pela derrubada do hoje senador Fernando Collor. E que contra Dilma não há acusações que justifiquem o mesmo fim. A estudante disse ainda que o atual governo tem "profunda conexão com os movimentos sociais".
— Nós somos a UNE que derrubamos um presidente por meio de um impeachment. Para ter impeachment precisa ter crime de responsabilidade, e nós sabemos que contra a presidente Dilma não há qualquer indício ou acusação. Nós jovens apoiamos o mandato da presidenta Dilma para continuar mudando a vida das pessoas — disse.
Segundo ela, quem defende o impeachment de Dilma quer apenas tomar o lugar da petista. Tanto Carina quanto Boulos aproveitaram sua fala para reclamar do ajuste fiscal. Enquanto ela pediu a exclusão da educação dos cortes, Boulos disse que era preciso taxar os ricos. E que a saída para a crise não está em Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e Renan Calheiros, presidente do Senado, e sim na população.

A Agenda Brasil não é a agenda do Renan. A agenda do Brasil é a agenda do povo. A saída da crise do nosso país não é com Cunha e Renan. É com o povo — discursou.
O evento Diálogo com os Movimentos Sociais reuniu mais de 30 entidades como CUT, CTB, UNE, Contag, Fetraf, CPM, UJS, MST , MTST e Federação Única dos Petroleiros.
Participaram do evento os ministros Miguel Rossetto (Secretaria Geral), Ricardo Berzoini (Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), Edinho Silva (Comunicação Social), Nilma Lino Gomes (Igualdade Racial), Gilberto Kassab (Cidades), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres), Manoel Dias (Trabalho) e Pepe Vargas (Direitos Humanos). Seguranças estimaram que 1.600 pessoas estiveram presentes do ato no Palácio do Planalto.

FONTE:https://oglobo.globo.com/brasil/lider-da-cut-ameaca-pegar-em-armas-17173689



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